Nesta quarta-feira (1) participamos de uma Audiência Pública da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara Federal, em Brasília. À parte o clima tenso - eram dias de votação da proposta de redução da maioridade penal - a reunião trouxe algumas novidades interessantes:
Cursos on-line de planejamento da mobilidade
O Ministério das Cidades está lançando uma série de cursos à distância sobre planejamento urbano, incluindo um programa específico para planos diretores de mobilidade urbana. As datas e condições de inscrição estão disponíveis em http://www.capacidades.gov.br.
Todos somos celulares
Uma comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) está estudando padrões de comunicação para que em breve os carros, ônibus, vlts, bicicletas e mesmo as pessoas possam estar "conectados", de forma a permitir melhor integração dos modos de transporte. Semáforos, por exemplo, poderão criar uma "onda verde" para que os ônibus e vlts não precisem parar nos semáforos. A mesma lógica poderia ser aplicada a um grupo de ciclistas, ou de pedestres caminhando em uma calçada, de forma que ao chegarem às esquinas encontrem sempre o farol aberto. O sistema totaliza a quantidade de pessoas simplesmente pela presença de seus celulares: um celular = uma pessoa ou um ciclista.
Trens à míngua
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) trabalha há vários anos com um orçamento praticamente congelado, em torno de 230 milhões de reais. Com esse recurso anual a companhia opera os sistemas de trens urbanos e vlts de Belo Horizonte, Recife, Natal, João Pessoa e Maceió. São quinze sistemas metroferroviários, que somam 38 linhas. Propostas de mais recursos para o desenvolvimento de novos projetos sobre trilhos são sistematicamente recusadas pelo governo federal. Por exemplo, em 2014, a direção da empresa projetou um orçamento de 800 milhões de reais, mas recebeu 229 milhões. Na prática, com a inflação, o orçamento tem sido reduzido desde 2010. A modernização dos trens e compra dos vlts somente foi posssível com os recursos do PAC Equipamentos, de 2012.
Como comparação, entre 2007 e 2011, em São Paulo, quase 2 bilhões de reais foram investidos na ampliação das pistas das avenidas Marginais Tietê e Pinheiros, hoje já saturadas pelo tráfego de automóveis. Mais: no trecho Leste do Rodoanel Mário Covas, foram gastos 3,6 bilhões de reais. O trecho Norte da mesma via deverá custar cerca de 4 bilhões. Somadas, as obras rodoviárias - que têm participação do governo federal - somam 9,6 bilhões de reais. Em sete anos, três grandes obras viárias consumiram o equivalente a 42 vezes o orçamento anual da companhia ferroviária.
É uma questão de prioridade.
Marcos de Sousa
Editor do Mobilize Brasil