O reajuste de R$ 0,20 no preço das passagens de ônibus, anunciado nesta sexta-feira (10) pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), não permitirá novos investimentos na frota de ônibus de Natal. Quem avisa é o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município do Natal (Seturn), que não ficou satisfeito com a tarifa de R$ 2,40. O diretor de comunicação do sindicato e da empresa Via Sul, Norberto Faria, confirmou que a proposta do empresariado era de elevar a passagem para R$ 2,75.
Norberto Faria explica que o novo valor não cobre a defasagem gerada por 28 meses sem reajuste na tarifa. De acordo com o diretor de comunicação do Seturn, no mesmo período foram três altas no preço do óleo diesel que abastece os ônibus, além de três aumentos salariais para motoristas e cobradores, o último deles fechado nesta semana. "Além de arcar com o crescimento desses custos, ainda temos que reaver as perdas neste período. É difícil investir assim", afirma o diretor da empresa Via Sul.
Também a secretária municipal de Mobilidade Urbana, Elequicina dos Santos garantiu a realização de cobranças para a melhoria dos serviços por parte das empresas de ônibus. "Mesmo não sendo a tarifa que eles querem, isso vai ser cobrado", afirmou. Apesar da postura, a secretária acredita que o contexto de melhorias virá efetivamente com a licitação para o transporte público da cidade, que a Prefeitura de Natal espera lançar até o fim do ano.
Os principais encargos das empresas de ônibus, conforme detalha Faria, estão no conjunto salários e combusível. "Os salários e gratificações respondem por 45% das despesasm enquanto o óleo diesel representa 25% do custo", calcula. No total, os dois fatores somam um impacto de 70% no custo operacional, que por sua vez é repassado aos usuários no preço da tarifa. Para o diretor de comunicação do Seturn, a falta de incentivos em relação aos tributos também pesa.
Faria acredita que medidas dos governos federal e estadual para reduzir a alíquota de alguns tributos seria importante, no entanto o diretor da Via Sul diz não sentir uma movimentação efetiva nesse sentido. "Mudanças no ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - do óleo diesel, ISS - Imposto Sobre Serviço, ou PIS/Cofins seriam positivas", conclui o diretor de comunicação do Seturn.
Dissídio coletivo
No reajuste salarial aprovado nesta semana, ficou estabelecido um aumento de 7,5% no salário dos motoristas - que passarão a receber R$ 1.451 - e cobradores - que ganharão R$ 870,00. Para os profissionais que exercem dupla função (motorista-cobrador), haverá alta de 2,5% na gratificação que é paga sobre o faturamento mensal dos ônibus. Já o vale-alimentação teve reajuste de 15% tanto para motoristas quanto para cobradores.
As negociações entre Seturn e o Sindicato dos Profissionais de Transporte do Rio Grande do Norte (Sintro/RN) sobre o dissídio coletivo ocorriam desde abril com mediação do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região.
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