O movimento ambientalista português Climáximo realizou nesta terça-feira (25) uma ação de troca de anúncios por obras de arte, para contestar a publicidade de automóveis. O protesto foi realizado em Lisboa, no "Dia Internacional contra a Publicidade", especialmente nos anúncios afixados em pontos do transporte público.
"Permitir publicidade de automóvel é como permitir publicidade ao tabaco", afirma o comunicado do movimento, que defende a urgente consolidação de "um sistema eficaz de transportes públicos gratuitos que sirva as necessidades das pessoas".
Os anúncios de carros "perpetuam estereótipos e encorajam os excessos automobilísticos individualistas incompatíveis com uma transição energética ecológica e justa que priorize os transportes públicos", argumenta o Climáximo.
A artista Michelle Tylicki foi uma das convidadas para elaborar um dos cartazes e inspirou-se na tradição flamenga do século XV para alertar para os riscos que o mundo atual enfrenta.
"Como um retábulo de Van Eyck para a era do colapso, esta peça apresenta O Juízo Final. Condena os publicitários e os fabricantes de automóveis que vendem a velocidade e o excesso como salvação", refere a artista, citada pelo movimento. "A Tesla e a indústria dos veículos elétricos disfarçam a destruição com uma auréola verde, mas mais carros - elétricos ou não - não nos vão salvar", acrescenta.
O movimento recorda a proposta que apresentou há um mês, o "Plano de Desarmamento e de Paz" do Climáximo, onde traça "um plano realista, justo, e compatível com os prazos da crise climática para fazer esta transição energética e criar um sistema de transportes públicos para todas as pessoas, entre outras medidas necessárias para uma transformação social, do trabalho e da produção a larga escala".
Operação de montagem do cartaz de protesto Foto: Climáximo
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