O aumento do óleo diesel, que entrou em vigor ontem, quarta-feira (12), impacta diretamente o custo do transporte público e pode elevar o preço médio da passagem de ônibus em mais 2,2%, segundo nota divulgada pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Conforme cálculos da entidade que representa os empresários do setor, o combustível corresponde a 26,6% do custo de operação das empresas e é o segundo item de custo que mais pesa no valor da tarifa, depois da mão de obra. Em 12 meses, o diesel acumula uma alta de preços entre 65% e 70,8%, dependendo da região do país.
Conforme o texto da NTU, a maioria dos contratos de concessão prevê que as revisões tarifárias sejam realizadas no primeiro trimestre do ano e 40 cidades brasileiras já aumentaram suas tarifas, enquanto dezenas de outras municipalidades estudam os novos valores a serem aplicados. A entidade empresarial alerta para o risco de uma nova onda de aumentos de tarifas com o novo preço do combustível. Otávio Cunha, presidente da NTU, declarou que “as empresas não vão conseguir absorver mais esse peso e muito menos o cidadão de baixa renda, maior usuário do serviço de transporte público por ônibus no Brasil”.
Segundo o posicionamento da entidade, as empresas de ônibus não querem mais aumentos da tarifa pública, que são definidos pelo poder público local, porque afugentam o passageiro e são contraproducentes. Em vez desse caminho usual, que gera um ciclo vicioso (menos passageiros, mais aumentos), o setor defende soluções estruturais, incluindo uma nova política tarifária, que remunere o custo do serviço prestado, independente da tarifa cobrada do passageiro; uma política de preços diferenciados para os insumos do setor; políticas de apoio e fortalecimento do transporte público por parte do governo federal, estados e municípios; e a adoção de um novo marco legal para o transporte público brasileiro, que modernize as regras atuais, garanta uma tarifa barata para o passageiro e um transporte de melhor qualidade em benefício de toda a sociedade.
"Se mantida a prática de transferir ao passageiro a responsabilidade de custear sozinho o transporte coletivo, adotada na maioria dos contratos em vigor no país, os reajustes deste ano, alimentados pelos aumentos sistemáticos do diesel, podem resultar numa alta média de até 50% na tarifa de cada cidade, o equivalente a R$ 2,00 na média nacional", diz a nota.
A NTU estima que para evitar o reajuste das tarifas em níveis de até 50% em todo o país, os governos estaduais e municipais dos 2.901 municípios que oferecem o serviço de transporte público organizado teriam que fazer um aporte financeiro de R$ 1,67 bilhão ao mês para garantir a continuidade da oferta de transporte nas cidades.
Veja uma lista das cidades que já reajustaram suas tarifas:
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