Texto e fotos: Uirá Lourenço | colaboração: Allan A.
A Praça dos Três Poderes é talvez o mais importante espaço da cidade, que reúne os três órgãos principais na esfera federal – Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal – e atrai muitos turistas. O piso de pedras portuguesas estava deteriorado, mas foi enfim reformado: a conclusão se deu em janeiro deste ano.1
A situação melhorou bastante na praça. No entanto, vale destacar a necessidade de outras melhorias, inclusive a interligação da praça com calçadas e ciclovias nos arredores. Com base em trajeto feito a pé e de bicicleta na região – e em imagens (fotos e vídeos) – fizemos sugestões com o objetivo de melhorar a acessibilidade e as condições para a mobilidade ativa.
Em encontros promovidos pela Rede Urbanidade (duas reuniões na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan-DF, em 20/5/2024 e em 20/2/2025)2, levamos contribuições ao Iphan e à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação – Seduh. Reforçamos a preocupação com o entorno da Praça.
Após a conclusão da reforma do piso, salientamos os aspectos relevantes que ainda precisam ser observados, em conformidade com as leis (federais e distritais)3 e com manuais de trânsito.
a) Travessia segura
Dificuldade na travessia próximo ao Palácio do Planalto.
Atualmente pedestres têm dificuldade de fazer a travessia entre os prédios públicos em volta da praça, pois faltam faixas de travessia e semáforos. No mapa elaborado há indicação de alguns pontos onde poderiam ser instaladas faixas de travessia, de preferência elevadas.
Aos domingos observa-se que os semáforos próximos à praça ficam em amarelo piscante, o que torna ainda mais difícil a travessia (em geral, os motoristas não dão preferência aos pedestres nessa situação).
b) Rampas de acesso e retirada ou realocação de cercas metálicas
Ausência de rampas e cerca metálica sobre calçada na Praça dos Três Poderes.
Observa-se que faltam rampas de acesso na região da praça, o que compromete o acesso, especialmente de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. É preciso, portanto, instalar rampas em conformidade com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de forma a propiciar deslocamentos seguros e cômodos.
As cercas metálicas em volta da praça dificultam o livre caminhar. Na parte norte, próxima ao Palácio do Planalto, a estrutura metálica ocupa quase toda a parte lateral que margeia a faixa de rolamento, obrigando quem está a pé a dividir espaço com os motoristas.
c) Conexão das ciclovias
Término da ciclovia na Esplanada dos Ministérios.
Outro aspecto relevante é garantir conexão segura aos ciclistas. As ciclovias no canteiro central da Esplanada dos Ministérios terminam de repente, antes do Congresso Nacional. O ciclista fica sem opção segura para ir até a Praça dos Três Poderes.
É possível corrigir esse problema por meio de ciclofaixas no lado esquerdo de ambos os lados da via (N1 e S1). Das seis faixas de rolamento uma pode ser – com sinalização e balizadores ou tachões – convertida em ciclofaixa. Vale frisar que, na altura do Congresso Nacional, já existe sinalização que impede a circulação e o estacionamento de motoristas na faixa da esquerda (tanto na parte norte, quanto na parte sul). Ou seja, a implantação das ciclofaixas seria facilitada e ajudaria a coibir infrações de motoristas no local.
d) Adequação e conexão de calçadas (rota acessível)
Calçada inacessível no Palácio do Itamaraty.
Há trechos críticos de calçadas (inacessíveis, sem conservação) no entorno da Praça dos Três Poderes. A parte frontal do Palácio do Itamaraty, por exemplo, tem piso desnivelado e cercas metálicas.
A calçada no sentido ponte JK está em condições ruins e precisa de reforma. Além do piso irregular, a falta de rampas e de piso tátil comprometem a acessibilidade de forma geral no entorno da praça.
Vale ressaltar que as calçadas da Esplanada dos Ministérios foram reformadas e estão em ótimo estado. Falta, portanto, complementar a rota com melhorias num trecho curto entre o Ministério da Saúde e a Praça (na parte sul) e entre o Palácio da Justiça e a Praça (na parte norte). As calçadas com banquinhos, vagas para bicicletas e locais sombreados (arborizados) podem ser replicadas até a região da Praça dos Três Poderes.
– Considerações finais
Acreditamos que as melhorias no entorno da Praça dos Três Poderes podem dar um impulso significativo em visitação e turismo. A região tem grande simbolismo para a cidade e para o país e pode se tornar uma vitrine de boas práticas em acessibilidade e mobilidade urbana.
O mapa virtual (clique para acessar) que elaboramos mostra os pontos críticos no entorno da praça e os bons exemplos ao longo da Esplanada dos Ministérios.
Esperamos que os gestores públicos acatem as sugestões e, assim, ampliem o acesso de pessoas a pé, de bicicleta, patinete e outros modos sustentáveis de locomoção. Locais agradáveis com sombra, banquinhos, sistemas com bicicletas e patinetes compartilhados, vagas para estacionar bicicletas (paraciclos) são um atrativo e tanto para as pessoas.
Imagens que ilustram o potencial da região para percorrer a pé, de patinete ou bicicleta.
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1 Notícia sobre a conclusão da obra:
2 Notícias sobre as reuniões realizadas no Iphan/DF:
Rede Urbanidade quer integrar acessibilidade da Esplanada à Praça dos Três Poderes
24/02/2025
Reforma da Praça dos Três Poderes: Rede Urbanidade apresenta sugestões ao Iphan
27/06/2024
3 Entre as leis distritais, vale destacar a Lei 6.458/2019 (Política Distrital de Incentivo à Mobilidade Ativa – PIMA), a Lei 7.463/2024 (Política de Mobilidade a Pé) e a Lei 7.542/2024 (Estatuto do Pedestre).
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