Fato inédito (e assustador) no metrô de São Paulo. Dois trens bateram na linha 3-vermelha do metrô na manhã desta quarta-feira (16). A informação é confirmada no site da Companhia do Metrô.
Por volta das 9h50, uma das composições que se envolveu na batida permanecia parada entre as estações Penha e Carrão, onde ocorreu o acidente. Até às 11 horas, pelo menos, a circulação em todo o sistema não estava operando normalmente, com maior tempo de parada e circulação reduzida dos trens, informou a Folha de S. Paulo.
Os trens envolvidos na batida estavam trafegando no sentido Barra Funda. Os passageiros cairam com o impacto da colisão, e uma mulher de 36 anos teve ferimentos no rosto e nas costas.
Passageiros que estavam dentro dos vagões relataram à reportagem do site UOL que após a colisão, e por mais de 20 minutos, não houve nenhum aviso por parte do condutor do trem do que havia acontecido.
Desesperadas, as pessoas usaram os botões de emergência e desceram na passagem lateral aos trens. As vítimas foram socorridas por agentes de segurança do próprio Metrô, Corpo de Bombeiros e SAMU.
Imagens registradas pelo helicóptero da TV Globo mostram que diversos carros dos bombeiros prestavam atendimento a vítimas às 10h30. Duas composições estavam paralisadas na via e passageiros aguardavam do lado de fora, ao lado dos trilhos.
A linha operava com velocidade reduzida às 10h10, assim como a linha 1-Azul e a 2-Verde. Segundo a assessoria da empresa, a estação tem uma área de manobra, permitindo que os trens mudem de via e continuem caminho.
O Metrô confirmou o acidente e informou que o Centro de Controle da empresa está apurando os motivos do acidente. Às 11 horas, funcionários da empresa ainda controlava o acesso nos bloqueios, o que provocava grandes filas nas estações de toda a linha 3-vermelha.
Sindicato comenta
Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Metroviários, Paulo Pasin, o choque entre as duas composições ocorreu devido a uma falha no sistema de automatização do Metrô. Ele diz ter recebido informações de que o sistema automático que faz um trem parar quando outro está à frente não funcionou.
"Não pode ter havido falha humana porque o sistema é automático. Quando há um trem à frente, a composição que vem atrás recebe um código de via. Se o código é zero, o trem para. Houve uma falha no sistema e o equipamento mandou um sinal diferente, pelo que parece", disse Pasin. "Em 20 anos de Metrô, eu nunca vi nada disso acontecer."
Há um mês, em entrevista exclusiva ao Mobilize, o secretário Jurandir Fernandes reiterava sua visão otimistas sobre o metrô paulistano e negava qualquer possibilidade colapso na rede, que já tem 38 anos de funcionamento.
17 de abril de 2012
Jurandir Fernandes: "O metrô de São Paulo não está em colapso"
O secretário paulista de Transportes Metropolitanos afirma que, segundo a auditoria CoMet, a situação do metrô paulistano está dentro dos padrões internacionais.